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11 maio 2016

CHEGA DE PRECONCEITO CONTRA OS AUTORES NACIONAIS!

Todos que já passaram pelo meu blogue e leram algum de meus artigos sabem que sou autora independente há 12 anos. E com 13 livros publicados, eu posso dizer: o que conquistei até aqui foi muito num país que é considerado de não-leitores. Tenho tiragens de mil livros esgotadas em alguns títulos e várias reimpressões dos que fiz em pequenas tiragens. E ganhei mais ainda com o retorno positivo de cada leitor que deu uma chance para meus livros.
Foram muitas mensagens de emocionar!!!
Nesses anos todos de luta foi justamente pelo incentivo que recebi que continuei.
Mas de vez em quando, na rede, leio coisas que me dão vergonha do pensamento no nosso país. Leitores que ofendem autores nacionais e nos criticam sem ao menos nos dar uma chance. Como pode?
Existem bons livros estrangeiros e bons livros nacionais e igualmente péssimas construções literárias que vêm de fora e péssimas que surgem aqui dentro. Para fazer a diferenciação, só lendo muito.
Como revisora de texto, eu vejo autores que não se preocupam em ler outros autores, que têm um total descuido com o nosso idioma e, por isso, muitos originais com potencial são descartados em editoras sem uma chance de publicação, já que se mede o todo pela maioria.
Claro que há exceções numa análise mais acurada. Mas a verdade é que o tempo urge. E nas pilhas e pilhas de textos, um bom original pode ir para o lixo sem ter passado por uma leitura crítica.
Um caos.
Como um leitor brasileiro pode afirmar para seus seguidores: “não poste nada nacional” num grupo literário?
Como pais que levam filhos à bienais podem dizer:  “detesto livro nacional”? E os outros “elogios” nem vou repetir por respeito a quem vai ler este meu relato.
Por isso o nosso país é considerado um país de não-leitores e temos um índice de leitura de 1,7 livro, em média, por ano. Por isso as pesquisas realizadas apontam que 25% dos brasileiros com 15 anos ou mais são analfabetos funcionais. É triste o nosso cenário.
Por favor, gente, vamos abrir a cabeça para a nova produção literária nacional. Dizer que não gosta sem ao menos conhecer é uma posição no mínimo preconceituosa e limitadora. Você que curte um romance, que curte uma aventura, um mistério ou mesmo uma obra de fantasia, acredite em mim, temos muitos escritores brasileiros talentosos. Eu te desafio a ler meus livros, porque sei que vai gostar! Eu leio. Leio muito. E sei que há muita gente boa por aí. 


20 junho 2015

MAIS UMA DICA: LITERATURA INFANTIL

A DICA DE HOJE É DE UMA AUTORA NACIONAL ADORÁVEL: Adriana Aguiar Ribeiro.
Tive a oportunidade e alegria de conhecer seu trabalho em 2008, quando eu sutilmente ainda preparava a primeira impressão de Sem Destino, meu romance independente. 
Desde lá venho acompanhando as dicas de viagem da Adriana, embora eu tenha sumido um pouco do mundo dos novos autores já que tive bebê em 2013 e 2014, com duas gestações seguidas (ufa, que sufoco, rssss!!!!).
Na semana passada, com muita alegria, recebi o convite para o lançamento da segunda edição de "Puny" (Editora Litteris) que:
"conta a simpática história de uma cadelinha que vivia na fazenda Tomba-Raio, próxima à pequena cidade de Penedo. Puny resolve abandonar sua família, na tentativa de mudar o seu destino, e acaba recolhida por um casal. Puny busca, a partir daí, conquistar seus novos donos e se adaptar ao novo lar. Muitas novidades acontecem em meio a travessuras, idas ao circo, acampamento e o convívio com seus novos amigos. Uma surpresa foi reservada para você no fim da história, quando a autora irá revelar a surpreendente origem da pequena Puny."




Luz e sucesso sempre!

05 junho 2015

É UMA NOVA OU VELHA LITERATURA NACIONAL?

Temos uma nova ou velha literatura nacional?
Sinceramente, vejo tantos livros traduzidos nas livrarias e tão poucos romancistas nacionais em meio a essas pilhas de livros expostos em gôndolas atraentes para qualquer amante da leitura que já não sei o que pensar.
O que conta - mesmo com tanto acesso à informação e tantas mudanças nas formas de mídia e comunicação - é um modelo arcaico de publicação onde impera o que vende mais ou o que chama mais a atenção no momento. Infelizmente, parece que quase sempre fica de lado o conteúdo.
E daí, no meio de tantas perguntas volto ao bom e velho mercado editorial.
Ai, estou tão cansada de orçamentos editoriais onde o custo unitário é tão alto que torna impossível a venda de um exemplar e dessas falsas propostas maquiadas de oportunidade para o novo autor que minha vontade é nunca mais enviar um original para análise e manter apenas a publicação sob demanda. Talvez eu deva encarar o fato de que para ser lida preciso sair por aí com os livros debaixo do braço e me tornar vendedora ambulante para pelo menos apresentar algo de meu trabalho e ter uma chance concreta de ser lida. Porque no fundo de uma prateleira qualquer não vou encontrar meu leitor. Muito menos divulgar uma obra que até então inexiste aos olhos do público. 
E não foi por falta de vontade, de paixão e envolvimento.
E sobre as análises de original, nossa, muitas foram uma frustração completa e em vez de uma avaliação séria o que consegui foi uma proposta de bancar a obra que eu nem sabia que seria possível em se tratando de determinada editora. Uma proposta tão cara que nem pude considerar.
Bom, sei que sonho não tem preço, mas por mais apaixonado que um autor seja existe um limite que se chama sobrevivência.
Enfim, vi que existe muita enrolação por aí.
Algumas editoras são sérias? São. E nessas chovem tantos novos autores e tanto português truncado e ruim que quase não sobra lugar para quem está chegando agora.
Com indicação fica mais fácil, mas quando não temos indicação podemos ser simplesmente descartados sem sequer ser folheados. 
Daí vou percorrendo a internet e vejo tantos novos caminhos que fico na dúvida: onde estou errando? Falta talento? Falta ou sobra texto? Falta marketing ou apenas muitoooo dinheiro para promover meus romances?
Na realidade, conheci tanta gente boa escrevendo por aí com um enorme talento que é completamente desconhecido e tanta gente ruim publicada e conhecida que fica difícil neste nosso contexto entender o que é "velha" ou "nova" literatura nacional e o que é bom ou ruim. 



26 abril 2013

NOVO ROMANCE

A postagem da vez é o lançamento de meu novo romance: "Uma nova chance". Contracapa: Eles estavam separados por diferenças que representavam a mesma distância entre a Fazenda e a cidade; as lembranças traziam um passado sinuoso e repleto de enganos. Ainda assim, um sentimento intenso e incontrolável resistia ao tempo... Sinopse: Uma Nova Chance é uma história de amor e conflito. Cíntia e Fernando cresceram como amigos de infância. Ao longo do tempo se apaixonaram e, mesmo pertencendo a mundos diferentes, ainda bem jovens se entregaram a um casamento precipitado. Mas entre os dois havia uma herança de ressentimento. Os pais de Cíntia não aceitavam a união e a jovem se dividiu entre o amor e a culpa. As diferenças logo sobressaíram e a força das circunstâncias fez com que Cíntia abandonasse Fernando um ano após a união. Ela, porém, não consegue esquecê-lo. Três anos depois, atormentada pelo passado, resolve enfrentar seus temores e, o destino, alheio aos argumentos da razão, a coloca frente a frente com o ex-marido. Fernando reage bruscamente à volta de Cíntia. Tem mágoas que ela desconhece e será capaz de tudo para tentar afastá-la de sua vida. Porém, determinada e impetuosa, a nossa personagem irá lutar por seus ideais, enfrentar sua família, e redescobrir o amor. Editora: Lexia ISBN: 978-85-8182-051-4 Páginas: 169

05 julho 2011

DUAS LUAS: MEU NOVO ROMANCE

Eu falava da vida, ela falava de sonhos. Eu seria a sombra da noite, ela me traria a luz do sol. Éramos como dois mundos, até que — sob os olhos atentos da lua, tornamo-nos um.

Em breve, "Duas Luas" será lançado pela ArtExpressa Editora. É um romance contemporâneo que traz a história de Gustavo e Clarissa. Ainda crianças, eles se mudam para Canoa Velha, cidade fictícia no interior de Minas Gerais e o universo mágico dos livros os aproxima. Ela é a sobrinha do fazendeiro mais poderoso da região. Ele é de família pobre e humilde. Supostamente, os dois não têm nada em comum e não nasceram para ficar juntos, porém, algo supera as diferenças e nem as ameaças de um tio inescrupuloso e dominador consegue separá-los. Mas os seres humanos estão sujeitos a contratempos e, quando, enfim, ficam juntos, ela não suporta as dificuldades financeiras que atravessam e o abandona. Gustavo se desespera. Não pode acreditar que ficou sozinho. Então, o destino intervém mais uma vez e, inesperadamente, sua vida sofre uma reviravolta...

Além de ter um viés realista, o enredo aborda de forma sensível a quastão dos novos autores.


16 março 2011

NOVOS AUTORES E FALTA DE OPORTUNIDADES

Escrevi o seguinte post sensibilizada pela situação atual de uma amiga. Ela, romancista promissora, anda a sofrer a injustiça de ver adiada a publicação de seu livro, cujo contrato assinou meses e meses atrás. Não pode imprimir mais exemplares por demanda, perdendo leitores e vendas e, ao mesmo tempo, silente pelo contrato, não tem como exigir um prazo determinado para a publicação do original, que fica a critério da editora, podendo ou não após tanto tempo de espera, ficar a publicação de seu romance apenas em se.

"Expectativas. Um mundo de portas e janelas que encontramos fechadas. Vozes silentes dos autores que criam seus textos e esperam o contato com o leitor. Espera por vezes ansiosa, frustrante, como no caso de se obter um contrato editorial e depois nenhuma resposta. Não há demanda, a editora perde o interesse e a possível publicação sai da fila. Minguou o interesse, outro autor que está ganhando destaque toma o lugar do que chegou primeiro.
Mas além de um contrato frustrado, há os pseudo-contratos, as falsas oportunidades de publicação, com custos altos e, depois, um resultado desesperador empilhados na casa do autor.
Sem divulgação, sem lugar nas livrarias, o livro não vende se o artista não tiver disponibilidade para sair por aí e se expor, batendo de porta em porta.
O problema é que nem todos podem deixar afazeres que possibilitam sua sobrevivência em busca de um sonho, por maior que seja o apelo de alma, a perseverança.
E então, onde encontramos lugar para expor nossa criação?
Virtual, impresso, tanto faz o formato do livro. Com a internet, sabemos que nossa noção de tempo e espaço é outra, mas a expectativa não. É igualmente intensa. Tão intensa como no momento em que a invenção de Gutenberg trouxe a impressora de tipos móveis...
Ah! O artista quer ver sua imaginação criar asas, quer saber se vai sensibilizar seu público, se a redação merece ganhar forma, cor, cenário. Enfim, doendo ou não a crítica, precisamos conhecer a qualidade e o potencial do texto.
E quem nos diz sobre essa qualidade e potencial é ninguém menos que o leitor.

Vejo novas tendências, maior atenção aos nacionais contemporâneos, porém, precisamos de um país mais interessado na atual produção literária. Algo além dos sucessos de vendas que nos chegam de outros países, frutos de outras sociedades e pertencentes a uma realidade tão diferente da nossa.

Nosso país, tão rico em cultura, precisa dar chance a algo mais do que polêmica, violência, escândalo e sensacionalismo. Não é negar a realidade das ruas, das favelas, do tráfico e tantas outras agruras sociais, também não é fugir da ciência, do conhecimento necessário e que nos liberta da ignorância. É deixar, antes de tudo, o pré-conceito de lado. Demonstrar nossos sentimentos, as peculiaridades e valores, porque a arte precisa existir suas várias manifestações, seja romance, poesia, crônica, conto, telas, sons, formas...
E quem discute a diversidade da criação?
Não, não é isso que buscamos. Apenas discutimos a falta de espaço para o artista iniciante sem recurso, sem contatos, sem alcance editorial."

16 fevereiro 2011

"O SOL NÃO APARECEU"

Novos autores precisam de persistência e coragem para publicar. Coragem para sair do papel. Persistência para acreditar que existe algo maior que os impulsiona a escrever. Algo pelo que vale a pena lutar. Eu não sei com quantos colegas já conversei pela rede. A verdade é que sempre procuro responder as mensagens que recebo e isso acontece desde 2004, quando decidi tirar meus escritos da gaveta. Foi assim que conheci muitas histórias. Autores que não sabiam registrar seus trabalhos no EDA e queriam apenas uma informação, outros que sondavam a participação em antologias, alguns admiravelmente engajados em atividades literárias, saraus, folhetins, outros sem recursos para custear uma simples participação em antologia. Vi muito desânimo por parte de quem enviou seu livro para análise vezes e vezes sem obter resposta. Vi pessoas com um sonho, mas sem condição de colocar a ideia no papel. Fiz amigos com quem compartilho um ideal. Amigos de quem falo com carinho e orgulho, pois apesar de toda e qualquer dificuldade no mercado editorial, são pessoas que simplesmente fazem acontecer. Não importa se hoje falta tinta na impressora ou dinheiro para postar um original e enviá-lo para avaliação; não importa se não obtiveram apoio de quem supostamente deveria apoiá-los. Sem uma condição financeira privilegiada ou o tal do quem indica, eles abrem espaço e tentam conquistar seu lugar. Estão apenas começando e por serem os novos nacionais, encontram grande resistência por parte dos leitores, no entanto, em muitos, a qualidade dos textos não se nega. Como também não se nega a capacidade de abrir caminho em meio às tantas portas fechadas com que nos deparamos ao longo do que significa escrever-publicar-ser lido.

Então, para o gênero e autor do "Feitiço" em fevereiro, tenho a alegria de postar o conto de um dos colegas queridos que tanto admiro.


O SOL NÃO APARECEU
Luciano Esposto
Presidente Venceslau / SP
Antologia "Contos da Meia-noite"- Edição 2011, CBJE

Acordei, como de costume, ao som da melodia que marcou minha vida. Eram oito da manhã segundo meu celular.
Abri a porta e fui para a sacada na tentativa de respirar o ar da manhã daquele inverno ainda lento, mas tudo parecia estranho. O sol não estava lá !
Um fianco de raciocínio me fez acreditar que o céu poderia estar nublado; mas, olhando fixamente, vi constelações e satélites brilhando como nunca, ainda que não visse a lua.
O raciocínio e a sensatez cobravam meu bom-senso ávido por respostas coerentes e resolvi sair à rua. Sem rumo caminhei silente percebendo o desespero das pessoas. Na padaria da esquina, um público cativo lotava o balcão próximo da TV onde nem os “experts” da meteorologia e física quântica conseguiam dar uma explicação que ao menos tranquilizasse a população. O dia tinha virado noite e isso era fato !
Olhei o celular quando o bip marcou dez horas e a noite ainda estava lá. Continuei minha caminhada e, por onde passava, sentia a angústia consumindo as pessoas. Templos, igrejas, casas de oração, todos repletos com seus pecadores na busca de redenção rápida, talvez acreditando tratar-se de Apocalipse.
O comércio estava uma balbúrdia. As poucas lojas que abriram logo fecharam com receio de saques, arrastões e todo tipo de violência que começava a dar anúncio de acontecer. Algumas, porém, nem abriram; talvez porque aos donos faria pouca ou nenhuma diferença o lucro.
Sentei-me na mureta do outro lado da avenida. Apesar do completo caos, da correria e do ar de final dos tempos; não queria me contaminar com aquilo ou, ao menos, pretendia apenas ficar lúcido.
Olhei novamente o celular que já marcava treze horas. A essa altura a fome dera lugar à ansiedade. Ninguém sabia o que viria a seguir. Olhei o céu e, novamente, as estrelas estavam lá... brilhando como nunca. Por um momento senti como se estivéssemos numa noite de verão após a costumeira e temperada chuva que acalenta o calor. Estou perdendo os sentidos, eu acho! Não posso entrar em confusão mental apesar da sensação de cabeça pesada como se ganhasse uma gripe.
A dúvida deu lugar ao desespero coletivo. Pessoas corriam em fluxo constante de um lado a outro em grupos fazendo lembrar a dança de rubros flamingos.
Enquanto assistia a tudo aquilo, fiquei pensando a quem atribuir a culpa de tal absurdo. Seria a tão anunciada “guerra nas estrelas” com suas bombas atômicas a se digladiarem com os foguetes anti bomba americanos a desinformação de todos? Não! Improvável em tempos de paz.
Talvez um teste malsucedido no espaço, mas isso seria capaz de causar tamanho cataclismo? Bobagem ! Devaneio e só!
Um novo bip do celular indicava dezessete horas. Horário do meu dentista. Mas, pensando bem, sorrir para quê? Para quem? Por quê? Diante dos acontecimentos sorrir não seria uma solução. Decidi não ir e resolvi voltar ao apartamento, pois o centro passou a tornar-se perigoso. Brigas e violências de todos os tipos já se via propagando pelas esquinas e ruas simultaneamente.
No caminho fazia um paralelo entre Deus e no homem. Seria isso tudo um sinal? Um prelúdio do resultado de nossos próprios males? Do nosso pecado ou daquilo que queira dar o nome?
Subia pelo elevador, que ainda funcionava, enquanto algumas certezas começavam a permear meus pensamentos.
O homem tem sido hipócrita consigo mesmo atirando no próprio pé com atitudes equivocadas, praticadas por alguns em detrimento da maioria, como se alguém conseguisse viver sozinho no mundo. O lucro a qualquer preço ficou entrincheirado na certeza de só valer a pena se tivermos para quem vender ou com quem compartilhar nossos produtos... nossas vidas.
A natureza teria vindo cobrar sua fatura a mando do próprio Criador que passivo, bondoso e infinitamente paciente teria dado mais que o tempo necessário para nos redimirmos? Talvez essa fosse a única coisa fazendo sentido nisso tudo.
Apanhei um copo de leite e um pedaço de pão e fui comer no sofá. Agora o relógio do aparelho de DVD marcava vinte horas. Ao menos nesta hora o céu começou a fazer um pouco de sentido. Estava escuro como de costume, mas não arrisquei ligar a TV e abri a porta da sacada. Queria sentir o da noite como ela tem que ser. Uma brisa fresca me acompanhava com os olhos. A rua parecia mais calma como se as pessoas estivessem querendo acreditar que tudo não passara de um mal-entendido absurdo, um pesadelo, talvez.
Sentei novamente no sofá onde vi uma enorme estrela de brilho intenso e adormeci.
O brilho da estrela começou a incomodar meus olhos. Sua intensidade aumentava a cada instante. Foi quando acordei com os primeiros raios de sol a me lamber a face.
Olhei de soslaio e percebi que havia adormecido. Teria tudo não passado de um sonho? Levantei e peguei o celular para ver a data. Não! Não foi um sonho!
E o mundo pela primeira vez percebeu sua insignificância tendo seu primeiro dia sem sol.
Recado de Deus? . . . Talvez!
A única certeza que tinha era que a culpa não fora só minha.

Luciano Esposto, escritor e poeta, advogado e funcionário público, teve obras selecionadas em alguns concursos literários, já participou de antologias da CBJE, em 2009 publicou o livro “Sensações Poéticas”.




Conheça mais sobre seu trabalho:

http://lucianoesposto.blogspot.com/

02 fevereiro 2011

UM POEMA EM CADA ÁRVORE

Olá pessoal! Quero muito divulgar o projeto “Um poema em cada árvore”, pois tive a alegria de ter um de meus trabalhos publicados nesta iniciativa original e cativante.
O Um poema em cada árvore visa o incentivo a leitura, a produção literária, a democratização do acesso aos bens culturais e popularização da poesia em Governador Valadares. Poemas de autores desconhecidos do grande público são impressos e pendurados em árvores de praças, ruas, avenidas e calçadões da cidade. Começou em agosto de 2010 a partir de iniciativa do poeta Marcelo Rocha. Voluntários do Instituto Psia fazem a instalação dos poemas nas árvores.



CLIQUE AQUI E VEJA MAIS FOTOS E POEMAS

Esta edição do projeto aconteceu no finzinho de janeiro e iniciozinho de fevereiro na Lagoa que une os bairros Morada do Vale, Lagoa Santa e Santo Agostinho e na Praça dos Pioneiros, na cidade de Governador Valadares/MG.

Participaram desta edição do “Um poema em cada árvore”:

Alice Daniel (Salvador/BA)
Bruna Longobucco (Belo Horizonte/MG)
Douglas Santiago (Gov. Valadares)
Laerte Lopes (Salvador/BA)
Larissa Santiago (Salvador/BA)
Leandro de Assis (Salvador/BA)
Marcelo Rocha (Gov. Valadares/MG)
Mingau (Divinópolis/MG)
Ricardo Santos (São Paulo/SP)
Tom Vital (Vespasiano/MG)
Valdir Azambuja (Ipatinga/MG)

Como participar:

Qualquer pessoa pode colaborar com textos em verso. Os trabalhos devem ser enviados ao e-mail institutopsia@hotmail.com digitados em Word. Os textos enviados serão avaliados pela coordenação do projeto e selecionados conforme qualidade literária e adequação ao público. A participação no projeto é voluntária e não haverá pagamento de direitos autorais. Todo o material enviado poderá ser reproduzido na internet, no blog e Flickr do Instituto Psia.

Marcelo Rocha é o coordenador do “Um poema em cada árvore”

www.institutopsia.blogspot.com

www.blogdomarcelorocha.blogspot.com

30 janeiro 2011

PARA FALAR DE POESIA


Rabiscar meus sonhos
Conversar o tempo
Agradecer dias e noites
Sussurrar segredos

Falar de amor e querer
Vida e sobrevida
Traçar espera e expectativa
Dizer de caos e alegrias

Poesia é perguntar as dúvidas
Escrever silêncios
Ser todos e um pouco de tudo
É contar a alma
Vezes, transparente como a água limpa
Outras, turva nas entrelinhas.


Bom, andei uns tempos afastada dos livros e do blog. A gente precisa recarregar a bateria, porque chega um momento em que a inspiração também tira férias... De qualquer jeito, meu primeiro post de 2011 traz uma grande paixão: A POESIA.
Falar deste gênero literário, para mim, é mais do que abordar a arte de compor ou escrever versos. Quando falo de poesia, falo de sonhos e verdades. De planos e expectativas. De olhares intensos. Dos detalhes que nascem nos dias, nas horas, nas estações. É como se cada poema desenhasse meus sentimentos.
Mas acredito que o mesmo acontece com todos os poetas... Os versos podem falar de amor, de contexto, saudade, reflexão, enfim, dores e alegrias, perguntas ou respostas. Nascem de acordo com o estado de alma do poeta. E, mesmo nas entrelinhas, podem ser perturbadoramente sinceros.
Quem me conhece, já sabe que sou fã dos novos nacionais. É por isso que neste ano, quero trazer mensalmente ao “Feitiço Literário”, um gênero e uma obra. Para Janeiro, escolhi o poeta Juan Fiorini e seu livro: “Quase nada sempre tudo”.
Tomei conhecimento de seu trabalho por meio de um amigo que me presenteou com um exemplar. Na dedicatória, o autor dizia: “Aqui segue uma tentativa de versificar um pouco ao mundo”.
Nossa, eu leio muita poesia, brinco de poetar, troco palavras e sonhos, entrelaço ilusão e realidade, como revisora e nova autora, tive a oportunidade de conhecer muitos outros novos autores pela rede e seus trabalhos, mas adorei seu estilo, sua forma de 'versificar o mundo', urbanizar a palavra, contextualizar o sentimento, diversificar o verso, dialogar com os sentimentos e tendências. Trocadilhos inteligentes, leitura que flui, atraente. Virei a última página querendo mais.

Eis duas passagens que destaquei:

"Criei a rua
Para se andar bem passo a passo.
De qualquer descaminho
Qualquer desalento
E qualquer desalinho
Como um sentimento
Que eu mesmo faço." (p.21)

"Único verso.
Assim é o universo:
O mesmo sentido
Lendo-se em reverso." (p.62)


Para quem não conhece, super recomendo!!!



“Neste livro o poeta é um criador de espaços, a própria poesia é o espaço ir se entregando sem pudor, às vezes sereno, às vezes vertigem, multiplicando-se em camadas cuja profundidade é sempre a dobra das superfícies. Os pontos de parada são móveis, os centros ficam nos arrabaldes: é isso que faz a gente vagar com prazer, basta se soltar nos 'ao redores', no ritmo dos sons e dos vazios entre as letras que se expandem e se contraem. Não há senhas, só as que a gente inventa: inquietude, desejo, bom humor, provocação, vitalidade.” Luis Alberto Brandão
Tradição Planalto Editora

ISBN: 978-85-99361-12-2
64 páginas
Contato com o autor: fiorini.juan@gmail.com


17 outubro 2010

PUBLIQUE SEU LIVRO: PERSIGA SEU SONHO

Impossível: você acredita que nós determinamos nossa capacidade de realização?

Nunca gostei de atitudes comodistas e desistentes. De pessoas que se conformam em não conseguir. Não tentam por medo de falhar ou de se expor. Sabe aquele discurso:
— Ah, você fala assim, porque tem facilidade. Já eu, não tenho tempo nem condição. A verdade é que não dá.
Ih! Ouvi isso em tantas situações... A verdade é que existem caminhos para todos. Oportunidades para todos. E não importa quão difícil esteja sua vida neste momento. Em qualquer profissão ou ideal, o que importa é se você quer e o que você faz para realizar o seu querer.
Quanto está disposto a se expor, a investir, a perseguir? Porque se quer, pode e consegue. Consegue porque faz acontecer. A vida responde quando somos determinados e direcionamos nossas ações para atingir um objetivo.
Mas, claro, passamos por muitos obstáculos e podemos trilhar percursos longos e tortuosos. E caímos. Caímos e levantamos, levantamos e quando a gente pensa que está quase lá, vem outro tombo. Um tombo daqueles! Milagrosamente, levantamos de novo.
No momento em que você se sente cansado, frustrado, alguém certamente vai querer te derrubar. Uma observação maldosa, irônica, uma crítica injusta, a pressão de quem amamos, de nossos familiares, a limitação financeira e tantos outros fatores negativos.
A surpresa é que lá no fundo, alguma coisa te leva a resistir e reagir. Como se uma voz sussurrasse constantemente: — Não desista. O que realmente tem significado, não vem com facilidade. Não mesmo.
Desde que comecei a publicar meus textos, sempre recebi muitos e-mails de novos autores. Felizmente, conheço hoje o trabalho de muitos deles também. Alguns, se tornaram especiais para mim. Outros, com quem troquei somente algumas mensagens, buscavam respostas: eu queria publicar um livro, sempre quis, mas não tenho cinco ou seis mil para investir agora. O que posso fazer?

Seria bom se nosso livro caminhasse sozinho, escolhesse a própria editora e batesse em nossa porta lindo e encadernado, apresentando ótimos resultados. Algo assim, só mesmo no mundo centuriano... rs.

No mundo real, são nossas opções:
— Procurar as editoras que publicam nosso gênero, enviar o material e cruzar os dedos. Quem está no meio, sabe como a espera pode ser longa e a resposta inexistente;
— Publicar independentemente. Se não pode investir muito, comece por pequenas tiragens, pela impressão por demanda. Gosto de indicar pequenas tiragens porque o autor pode ter uma noção do que é publicar por conta própria, não investe muito e, além disso, verifica o que publicou, pode alterar e melhorar na segunda tiragem, verificar a opinião dos leitores e desenhar seus próximos passos. Além disso, fica mais fácil obter retorno do que investiu. Claro que nenhum novo autor vende um livro facilmente, então, seja paciente. Muito paciente. E, principalmente, positivo.
Para qualquer um de nós, alguns questionamentos são fundamentais:
•Acredito no que faço?
•Meu texto está coerente?
•Sou um bom leitor? Porque se não gosto de ler, dificilmente escrevo bem.
•Tenho interesse em conhecer o trabalho de quem (assim como eu) está começando?
•Revisei meu texto devidamente?
•O que são direitos autorais? Meu trabalho está protegido? Respeito o trabalho dos outros autores?

Uma dica: se não se sente apto a fazer uma boa revisão, contrate um profissional. Sou revisora de texto e também valorizo outra opinião em relação aos meus livros, porque por estar envolvida emocionalmente com a obra, algum deslize pode passar despercebido.
Somos humanos, errar faz parte de nossa natureza. Temos que aceitar que podemos falhar, porém, erros substanciais comprometem nosso original. Por exemplo: você insere um determinado acontecimento no livro e nunca mais dá sequência, fica uma interrogação e o leitor se frustra. Também podemos cair em contradição e por aí vai.
Alguns erros gramaticais alteram completamente o sentido do texto. Enfim, se enviamos um original confuso e truncado para uma editora, por mais criativo que seja, ele corre um grande risco de ser descartado.
Anote aí: Quando um original é recusado e falo por experiencia própria, não significa que ele foi necessariamente analisado. É o que acontece quando escrevemos um romance e enviamos para uma editora que tem o gênero no catálogo, meses depois, vem aquela velha frase: infelizmente, seu original não se enquadra em nossa linha editorial. Hum... como assim?
Por isso, não leve a recusa como uma ofensa, uma desculpa para desistir ou se vitimizar. Continue tentando.
Seja crítico com o que faz. Não excessivamente, é que um escritor precisa se avaliar e aceitar as diferentes opiniões. No meu caso, dicas são sempre bem-vindas. Se vou incorporá-las ou não, aí é outra coisa.
Se ouço críticas sobre o meu estilo? Sim. Não vou ser hipócrita e dizer que amei. Até porque, tem gente que fala coisas que não tem nada a ver. O fato é que críticas fazem parte. Às vezes são úteis, outras, completamente inúteis.
Nossa única certeza é que precisamos ler cada vez mais, estudar e ter humildade para saber que, na realidade, sabemos tão pouco ou quase nada.
E no vendaval que o autor iniciante enfrenta, o que nos leva a continuar? O leitor. Quem espera sua nova publicação, quem realmente vibra com suas histórias, quem as comenta. É muito bom causar emoção, discussão, reflexão. E um sorriso? Nossa, é tudo de bom. A gente entende que vale a pena continuar, se aprimorar.
Sempre indico dois clássicos para autores iniciantes: Cartas a um Jovem Poeta (Rainer Maria Rilke) e A Arte de Escrever (Arthur Schopenhauer).
Arthur Schopenhauer, ao abordar a escrita e o estilo na “arte de escrever”, fala de autores que escrevem por escrever, para encher papel, daí a razão de sua escrita não ter precisão nem clareza. Para o autor:
“A língua é uma obra de arte e deve ser considerada como tal, portanto objetivamente, assim, tudo o que é expresso nela deve seguir regras e corresponder à sua intenção; em cada frase, é preciso que se comprove o que deve ser dito como algo que objetivamente se encontra ali. Desse modo, não se deve considerar a língua apenas subjetivamente e, assim, expressar-se de modo precário, na esperança de que outro venha a adivinhar o que quer dizer, como fazem aqueles que não designam o caso, expressam todos os pretéritos por meio do imperfeito, deixando de lado os prefixos etc.” (SCHOPENHAUER, 2009, p.55;124)

O objetivo não é acentuar um preciosismo exagerado para a escrita. Em meu TCC de Revisão de Texto, concluí:
Não é que o escritor deva se tornar obcecado pela norma culta. A excessiva preocupação com o que se escreve pode censurar a criatividade, tornando a redação pedante e rebuscada. Um dom não deve nem pode ser tolhido. O que se busca é aprimorar o talento. Rever o que escrevemos evita falhas no corpo do texto, facilita a apresentação de um original, atribui sentido ao que se redigiu. Enfim, escrever envolve técnica e dedicação.
Feitas algumas ponderações sobre publicação e conteúdo, vamos ao que interessa: aliar determinação e dedicação. Vontade e viabilidade. Procure todas as alternativas e ferramentas ao seu alcance. Pergunte sim. Tente interagir com os colegas, usufrua dos muitos meios que hoje temos para levar nossa arte ao leitor. Acima de tudo, nunca abra mão dos seus sonhos. Se a vocação existe, escrever é uma necessidade e essa necessidade que nem todo mundo entende, é o combustível para sua motivação. Quem vive frustrado e com medo, ainda não descobriu o que é realmente viver. E o tempo é tão breve... Seu manuscrito está mofando? Ora, vá em frente! Publique seu livro, persiga seu sonho. Não atribua a ninguém a responsabilidade sobre sua vida, sobre suas ações.

31 agosto 2010

Tantas hitórias, tantas versões de Romeu e Julieta...

Define a Lei nº 9.610 (lei dos direitos autorais), artigo 7º, caput: "São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro..."
Não é romântica a definição legal? O que mais seria a arte que não a manifestação do espírito, a expressão da criatividade humana? Mas a criatividade esbarra na originalidade? Quero dizer, são tantas hitórias com elementos em comum, tantas versões de Romeu e Julieta...
Acontece que navegando pela rede, encontrei alguns artigos criticando publicações contemporâneas. Frases como: "não há nada que mereça ser publicado, nada de novo, nada de original." Embora seja meu princípio respeitar a crítica e a opinião dos outros, confesso que achei a colocação limitada e preconceituosa.
Não é a primeira vez que leio alguma coisa assim. Eu já havia falado em um post anterior que negar a existência de novos artistas, é negar a capacidade criativa do homem. Cada geração tem algo a dizer. Cada um de nós tem suas próprias experiências. Se olharmos ao nosso redor, veremos que não é preciso ir longe, pois em uma mesma família acontecem biografias diversas.
Você pode dizer que um romance guarda pontos semelhantes. É verdade. Óbvio que isso também acontece nos outros gêneros, porém, cada autor tem algo único a contar ou não nos apaixonaríamos por novos títulos de tempos em tempos.
Sempre digo que um dom não pode ser forçado, por isso, existem originais bons e ruins. Livros verdadeiramente inspirados e textos forçados.
Temos ainda que lidar com o fato de conviver com espertalhões que tentam se apropriar do trabalho dos outros. É, com a internet fica difícil controlar o plágio. Já vi casos de autores que descobriram seus originais publicados com outro título. Também já encontrei trabalhos meus pela rede, publicados supostamente por outra pessoa. Reclamei, mas tinha o registro para comprovar a anterioridade, o problema, é que nem todos os autores se preocupam em registrar seus textos. A própia lei coloca o registro das obras como uma faculdade e não uma obrigação, contudo, ele gera presunção relativa de autoria.
Bem, voltando à questão da originalidade, quando fiz meu TCC em Direito, ao analisar o objeto de proteção dos direitos autorais, fiz a mesma reflexão:
Ao se resgatar a essência de contos de fadas como Cinderela, A Bela e a Fera, A Bela Adormecida e outros, percebe-se que inspiraram filmes, novelas etc., todos reunindo personagens e fatos bem semelhantes aos que cativam as pessoas, ainda na infância. No entanto, se um artista cria seu trabalho a partir de algo que o sensibilizou, que o intrigou, é possível a conclusão de que cada obra nasce de um contexto, de algo que inspirou seu criador e que denominamos ideia. Assim, não deixa de ter sua porção de originalidade. Afinal, a interpretação, por ser subjetiva, assume um contorno a cada leitura individual.
"Cartas a um jovem poeta", do escritor Rainer Maria Rilke, é um de meus livros favoritos. Há uma passagem que diz muito ao novo autor:
O senhor me pergunta se seus versos são bons. Pergunta isso a mim. Já perguntou a mesma coisa a outras pessoas antes. Envia os seus versos para revistas. Faz comparações entre eles e outros poemas e se inquieta quando um ou outro redator recusa suas tentativas de publicação. Agora (como me deu licença de aconselhá-lo) lhe peço para desistir de tudo isso. O senhor olha para fora, e é isso sobretudo que não devia fazer agora. Ninguém pode aconselhá-lo e ajudá-lo, ninguém. Há apenas um meio. Volte-se para si mesmo. Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profunda. E, se ela for afirmativa, se o senhor for capaz de enfrentar essa pergunta grave e simples “Preciso”, então construa sua vida de acordo com tal necessidade; sua vida tem de se tornar, até na hora mais indiferente e irrelevante, um sinal e um testemunho desse impulso. (2006, p.24-25).

Então, se você escreve porque precisa escrever, se acredita no que faz e que realmente tem algo a dizer, persiga seu sonho, lute por ele e, mesmo diante das tantas dificuldades, resista. Somente alguém determinado e motivado consegue chegar a algum lugar. As pessoas gostam de impor condições. Os desistentes adoram aconselhar. É uma mania de dizer para o outro o que deve ou não fazer. Não aceite como sua a experiência de alguém. Eu sei que não é fácil atingir um objetivo ou realizar um sonho, ainda assim, o mundo está cheio de vencedores.


22 maio 2010

Novos autores, fiquem atentos!

Se cada atitude que tomássemos viesse com uma bula, na qual constasse a desilusão como efeito colateral, pensaríamos muito antes de empreender qualquer passo. Mas isso levaria nossa espontaneidade e também a possibilidade de aprendizagem e a experiência vale muito, na realidade, não tem preço.

Porém, é preciso ser cauteloso. Alguns novos autores como eu, colegas que interagem pela rede, acabam entrando de cabeça em certas “canoas furadas”, deixando prevalecer apenas o sonho de publicar seu livro. Tais impulsos distorcem a realidade. Podemos cair de amores por qualquer proposta em relação à nossa obra (pois, como sabemos, não são muitas), a ponto de assinarmos um contrato ignorando o direito de autor.

Está certo que Nossa Constituição Federal, ao disciplinar a propriedade intelectual, dispõe no artigo 5º: “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar" (inciso XXVII).

Já nos termos da lei autoral (Lei nº 9.610/1998), “pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.” Os direitos morais não se desvinculam da pessoa do autor, fato que permite a reivindicação da autoria da obra, a qualquer tempo (artigo 24, inciso I).

No entanto, os direitos patrimoniais são negociáveis. É o que representa o artigo 49, do mesmo diploma legal: “Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiro, por ele ou seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão, ou por outros meios admitidos em Direito, (...).”

Esclarece ainda, o artigo 53: Mediante contrato de edição, o editor, obrigando-se a reproduzir e a divulgar a obra literária, artística ou científica, fica autorizado, em caráter de exclusividade, a publicá-la e a explorá-la pelo prazo e nas condições pactuadas com o autor. É justamente aí que podemos nos complicar, se formos incautos.

Assim, embora a autoria seja perpétua e, num primeiro momento, o autor é o titular dos direitos autorais de sua obra, no que se refere ao aspecto patrimonial, nem sempre o criador intelectual mantém a titularidade desses direitos, pois são limitados no tempo, podendo ser objeto de transações.

Laura Bacellar, que trabalha com editoras desde 1983 e possui vasta experiência no assunto, em seu site, “Escreva seu livro”, fez um post sobre “Editoras que não são editoras”. Acho que todos do meio deveriam lê-lo. Ela fala não exatamente o que gostaríamos de ouvir, mas o que precisamos saber.

Infelizmente, muita gente se aproveita dos sonhos dos outros. O que inclui uma proposta indecente de publicação, disfarçada de oportunidade única, o que não é nada mais o que uma editora prestadora de serviços faria (dessas em que podemos imprimir sob demanda), aliás, é muito menos, porque enquanto seu original não está amarrado num contrato em que alguém detém direito exclusivo de publicação, você é livre para fazer suas próprias escolhas e, como autor independente, obter retorno do que investe e não apenas uma porcentagem insignificante sobre o preço da capa do livro que ainda que não saiba, financiou, ou mesmo, nenhuma porcentagem.


ROMANCE SOBRENATURAL

Eu não escondo de ninguém que adoro romance sobrenatural.  Para quem é fã como eu, eu recomendo uma série Coreana que assisti na Netflix:  M...