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16 março 2011

NOVOS AUTORES E FALTA DE OPORTUNIDADES

Escrevi o seguinte post sensibilizada pela situação atual de uma amiga. Ela, romancista promissora, anda a sofrer a injustiça de ver adiada a publicação de seu livro, cujo contrato assinou meses e meses atrás. Não pode imprimir mais exemplares por demanda, perdendo leitores e vendas e, ao mesmo tempo, silente pelo contrato, não tem como exigir um prazo determinado para a publicação do original, que fica a critério da editora, podendo ou não após tanto tempo de espera, ficar a publicação de seu romance apenas em se.

"Expectativas. Um mundo de portas e janelas que encontramos fechadas. Vozes silentes dos autores que criam seus textos e esperam o contato com o leitor. Espera por vezes ansiosa, frustrante, como no caso de se obter um contrato editorial e depois nenhuma resposta. Não há demanda, a editora perde o interesse e a possível publicação sai da fila. Minguou o interesse, outro autor que está ganhando destaque toma o lugar do que chegou primeiro.
Mas além de um contrato frustrado, há os pseudo-contratos, as falsas oportunidades de publicação, com custos altos e, depois, um resultado desesperador empilhados na casa do autor.
Sem divulgação, sem lugar nas livrarias, o livro não vende se o artista não tiver disponibilidade para sair por aí e se expor, batendo de porta em porta.
O problema é que nem todos podem deixar afazeres que possibilitam sua sobrevivência em busca de um sonho, por maior que seja o apelo de alma, a perseverança.
E então, onde encontramos lugar para expor nossa criação?
Virtual, impresso, tanto faz o formato do livro. Com a internet, sabemos que nossa noção de tempo e espaço é outra, mas a expectativa não. É igualmente intensa. Tão intensa como no momento em que a invenção de Gutenberg trouxe a impressora de tipos móveis...
Ah! O artista quer ver sua imaginação criar asas, quer saber se vai sensibilizar seu público, se a redação merece ganhar forma, cor, cenário. Enfim, doendo ou não a crítica, precisamos conhecer a qualidade e o potencial do texto.
E quem nos diz sobre essa qualidade e potencial é ninguém menos que o leitor.

Vejo novas tendências, maior atenção aos nacionais contemporâneos, porém, precisamos de um país mais interessado na atual produção literária. Algo além dos sucessos de vendas que nos chegam de outros países, frutos de outras sociedades e pertencentes a uma realidade tão diferente da nossa.

Nosso país, tão rico em cultura, precisa dar chance a algo mais do que polêmica, violência, escândalo e sensacionalismo. Não é negar a realidade das ruas, das favelas, do tráfico e tantas outras agruras sociais, também não é fugir da ciência, do conhecimento necessário e que nos liberta da ignorância. É deixar, antes de tudo, o pré-conceito de lado. Demonstrar nossos sentimentos, as peculiaridades e valores, porque a arte precisa existir suas várias manifestações, seja romance, poesia, crônica, conto, telas, sons, formas...
E quem discute a diversidade da criação?
Não, não é isso que buscamos. Apenas discutimos a falta de espaço para o artista iniciante sem recurso, sem contatos, sem alcance editorial."

30 janeiro 2011

PARA FALAR DE POESIA


Rabiscar meus sonhos
Conversar o tempo
Agradecer dias e noites
Sussurrar segredos

Falar de amor e querer
Vida e sobrevida
Traçar espera e expectativa
Dizer de caos e alegrias

Poesia é perguntar as dúvidas
Escrever silêncios
Ser todos e um pouco de tudo
É contar a alma
Vezes, transparente como a água limpa
Outras, turva nas entrelinhas.


Bom, andei uns tempos afastada dos livros e do blog. A gente precisa recarregar a bateria, porque chega um momento em que a inspiração também tira férias... De qualquer jeito, meu primeiro post de 2011 traz uma grande paixão: A POESIA.
Falar deste gênero literário, para mim, é mais do que abordar a arte de compor ou escrever versos. Quando falo de poesia, falo de sonhos e verdades. De planos e expectativas. De olhares intensos. Dos detalhes que nascem nos dias, nas horas, nas estações. É como se cada poema desenhasse meus sentimentos.
Mas acredito que o mesmo acontece com todos os poetas... Os versos podem falar de amor, de contexto, saudade, reflexão, enfim, dores e alegrias, perguntas ou respostas. Nascem de acordo com o estado de alma do poeta. E, mesmo nas entrelinhas, podem ser perturbadoramente sinceros.
Quem me conhece, já sabe que sou fã dos novos nacionais. É por isso que neste ano, quero trazer mensalmente ao “Feitiço Literário”, um gênero e uma obra. Para Janeiro, escolhi o poeta Juan Fiorini e seu livro: “Quase nada sempre tudo”.
Tomei conhecimento de seu trabalho por meio de um amigo que me presenteou com um exemplar. Na dedicatória, o autor dizia: “Aqui segue uma tentativa de versificar um pouco ao mundo”.
Nossa, eu leio muita poesia, brinco de poetar, troco palavras e sonhos, entrelaço ilusão e realidade, como revisora e nova autora, tive a oportunidade de conhecer muitos outros novos autores pela rede e seus trabalhos, mas adorei seu estilo, sua forma de 'versificar o mundo', urbanizar a palavra, contextualizar o sentimento, diversificar o verso, dialogar com os sentimentos e tendências. Trocadilhos inteligentes, leitura que flui, atraente. Virei a última página querendo mais.

Eis duas passagens que destaquei:

"Criei a rua
Para se andar bem passo a passo.
De qualquer descaminho
Qualquer desalento
E qualquer desalinho
Como um sentimento
Que eu mesmo faço." (p.21)

"Único verso.
Assim é o universo:
O mesmo sentido
Lendo-se em reverso." (p.62)


Para quem não conhece, super recomendo!!!



“Neste livro o poeta é um criador de espaços, a própria poesia é o espaço ir se entregando sem pudor, às vezes sereno, às vezes vertigem, multiplicando-se em camadas cuja profundidade é sempre a dobra das superfícies. Os pontos de parada são móveis, os centros ficam nos arrabaldes: é isso que faz a gente vagar com prazer, basta se soltar nos 'ao redores', no ritmo dos sons e dos vazios entre as letras que se expandem e se contraem. Não há senhas, só as que a gente inventa: inquietude, desejo, bom humor, provocação, vitalidade.” Luis Alberto Brandão
Tradição Planalto Editora

ISBN: 978-85-99361-12-2
64 páginas
Contato com o autor: fiorini.juan@gmail.com


ROMANCE SOBRENATURAL

Eu não escondo de ninguém que adoro romance sobrenatural.  Para quem é fã como eu, eu recomendo uma série Coreana que assisti na Netflix:  M...