Escrevi o seguinte post sensibilizada pela situação atual de uma amiga. Ela, romancista promissora, anda a sofrer a injustiça de ver adiada a publicação de seu livro, cujo contrato assinou meses e meses atrás. Não pode imprimir mais exemplares por demanda, perdendo leitores e vendas e, ao mesmo tempo, silente pelo contrato, não tem como exigir um prazo determinado para a publicação do original, que fica a critério da editora, podendo ou não após tanto tempo de espera, ficar a publicação de seu romance apenas em se.
"Expectativas. Um mundo de portas e janelas que encontramos fechadas. Vozes silentes dos autores que criam seus textos e esperam o contato com o leitor. Espera por vezes ansiosa, frustrante, como no caso de se obter um contrato editorial e depois nenhuma resposta. Não há demanda, a editora perde o interesse e a possível publicação sai da fila. Minguou o interesse, outro autor que está ganhando destaque toma o lugar do que chegou primeiro.
Mas além de um contrato frustrado, há os pseudo-contratos, as falsas oportunidades de publicação, com custos altos e, depois, um resultado desesperador empilhados na casa do autor.
Sem divulgação, sem lugar nas livrarias, o livro não vende se o artista não tiver disponibilidade para sair por aí e se expor, batendo de porta em porta.
O problema é que nem todos podem deixar afazeres que possibilitam sua sobrevivência em busca de um sonho, por maior que seja o apelo de alma, a perseverança.
E então, onde encontramos lugar para expor nossa criação?
Virtual, impresso, tanto faz o formato do livro. Com a internet, sabemos que nossa noção de tempo e espaço é outra, mas a expectativa não. É igualmente intensa. Tão intensa como no momento em que a invenção de Gutenberg trouxe a impressora de tipos móveis...
Ah! O artista quer ver sua imaginação criar asas, quer saber se vai sensibilizar seu público, se a redação merece ganhar forma, cor, cenário. Enfim, doendo ou não a crítica, precisamos conhecer a qualidade e o potencial do texto.
E quem nos diz sobre essa qualidade e potencial é ninguém menos que o leitor.
Vejo novas tendências, maior atenção aos nacionais contemporâneos, porém, precisamos de um país mais interessado na atual produção literária. Algo além dos sucessos de vendas que nos chegam de outros países, frutos de outras sociedades e pertencentes a uma realidade tão diferente da nossa.
Nosso país, tão rico em cultura, precisa dar chance a algo mais do que polêmica, violência, escândalo e sensacionalismo. Não é negar a realidade das ruas, das favelas, do tráfico e tantas outras agruras sociais, também não é fugir da ciência, do conhecimento necessário e que nos liberta da ignorância. É deixar, antes de tudo, o pré-conceito de lado. Demonstrar nossos sentimentos, as peculiaridades e valores, porque a arte precisa existir suas várias manifestações, seja romance, poesia, crônica, conto, telas, sons, formas...
E quem discute a diversidade da criação?
Não, não é isso que buscamos. Apenas discutimos a falta de espaço para o artista iniciante sem recurso, sem contatos, sem alcance editorial."
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