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25 abril 2016

A Bienal e a Literatura Nacional


Eu falei da invisibilidade do novo autor na Bienal de Minas há alguns dias. Não consegui aceitar os autores quase na saída da Expominas e o movimento todo concentrado nas grandes livrarias.
Talvez eu ainda questione nossa posição por ser minha primeira participação num estande como autora independente. Alguns que já participaram de outras edições já aceitaram o fato de que não adianta reclamar, pois não traz resultados. Então, vamos continuar sem sinalização na feira e o leitor vai passar por nós e perguntar: “Ei, o que são esses nomes nos estandes?” E dá-lhe explicação...
Ok! Eu amo livros e sempre gostei de livrarias. Mas livrarias estão em toda parte. O mesmo não acontece com os autores que conheci na Bienal. Pessoas cheias de histórias para contar, determinados em publicar e apresentar seus trabalhos. Em sua maioria eles são movidos pela paixão. E dali não sai nenhum lucro, acreditem.
Lamentável não é só a falta de uma publicidade sobre nossa presença na Feira de Livros. Mais triste é ver que os leitores andam, em sua maioria, completamente desinteressados de conhecer os novos nacionais.
Alisson Souza de Sá, vindo de Maceió para auxiliar uma das escritoras independentes, diga-se de passagem, muito simpática e talentosa, estava perplexo com o comportamento desinteressado de grande parte do público e assim me transcreveu sua experiência:
Uma garota de 16 anos, após ser abordada sobre o seu gosto por Literatura Nacional, refletiu: “Literatura Nacional é uma bosta, não há criatividade”.
Ele, chocado, respondeu: Todos aqui nesta área são autores independentes com histórias emocionantes e nacionais.
E ela: “Nenhum presta!”
E Ele: “Como você sabe se não parou para ler?”
Ela: “Não perco o meu tempo.”
Ele sugeriu que ela tentasse e degustasse um livro e depois emitisse sua opinião.
Infelizmente, a verdade é que muitas pessoas pensam como ela. O problema é que a leitura não é um hábito dos brasileiros como um todo. Então a crítica nasce de um profundo preconceito e um completo desconhecimento acerca do que se fala. Porque há novos nacionais apaixonantes.  E mais uma vez lamento que nossa sociedade não valorize a literatura emergente e a cultura local.






05 junho 2015

É UMA NOVA OU VELHA LITERATURA NACIONAL?

Temos uma nova ou velha literatura nacional?
Sinceramente, vejo tantos livros traduzidos nas livrarias e tão poucos romancistas nacionais em meio a essas pilhas de livros expostos em gôndolas atraentes para qualquer amante da leitura que já não sei o que pensar.
O que conta - mesmo com tanto acesso à informação e tantas mudanças nas formas de mídia e comunicação - é um modelo arcaico de publicação onde impera o que vende mais ou o que chama mais a atenção no momento. Infelizmente, parece que quase sempre fica de lado o conteúdo.
E daí, no meio de tantas perguntas volto ao bom e velho mercado editorial.
Ai, estou tão cansada de orçamentos editoriais onde o custo unitário é tão alto que torna impossível a venda de um exemplar e dessas falsas propostas maquiadas de oportunidade para o novo autor que minha vontade é nunca mais enviar um original para análise e manter apenas a publicação sob demanda. Talvez eu deva encarar o fato de que para ser lida preciso sair por aí com os livros debaixo do braço e me tornar vendedora ambulante para pelo menos apresentar algo de meu trabalho e ter uma chance concreta de ser lida. Porque no fundo de uma prateleira qualquer não vou encontrar meu leitor. Muito menos divulgar uma obra que até então inexiste aos olhos do público. 
E não foi por falta de vontade, de paixão e envolvimento.
E sobre as análises de original, nossa, muitas foram uma frustração completa e em vez de uma avaliação séria o que consegui foi uma proposta de bancar a obra que eu nem sabia que seria possível em se tratando de determinada editora. Uma proposta tão cara que nem pude considerar.
Bom, sei que sonho não tem preço, mas por mais apaixonado que um autor seja existe um limite que se chama sobrevivência.
Enfim, vi que existe muita enrolação por aí.
Algumas editoras são sérias? São. E nessas chovem tantos novos autores e tanto português truncado e ruim que quase não sobra lugar para quem está chegando agora.
Com indicação fica mais fácil, mas quando não temos indicação podemos ser simplesmente descartados sem sequer ser folheados. 
Daí vou percorrendo a internet e vejo tantos novos caminhos que fico na dúvida: onde estou errando? Falta talento? Falta ou sobra texto? Falta marketing ou apenas muitoooo dinheiro para promover meus romances?
Na realidade, conheci tanta gente boa escrevendo por aí com um enorme talento que é completamente desconhecido e tanta gente ruim publicada e conhecida que fica difícil neste nosso contexto entender o que é "velha" ou "nova" literatura nacional e o que é bom ou ruim. 



05 outubro 2010

E por falar em amor...

Li em algum lugar que o conceito de amor foi reformulado ao longo dos séculos. Pensei: claro, cada pessoa tem seu jeito de ver as coisas. Eu, por exemplo, desde criança achei que namoro era mais uma questão de amizade, afinidade ou mesmo comodismo; talvez a vontade de exibir alguém por aí. Casamento, definitivamente, nunca aprovei.
Pode ser um resultado da minha criação, já que minha mãe e meu pai nunca se entenderam e ficaram juntos por falta de coragem e opção. Não fui um garoto que se apaixonou pela professora, pela prima ou pela melhor amiga. Não. Diante dos outros caras, eu até questionava minha dificuldade de gostar de alguém; seria frieza? Então, sempre fiquei por ficar...
Certa tarde, saí do trabalho mais cedo. Sentia cansaço e os livros que levava comigo pesavam duas vezes mais que o peso real. Ajeitei minha pasta e resolvi sentar na praça. Não sei o que me levou a ficar ali. Sou muito irrequieto para apreciar uma tarde de sol sob as copas de uma quaresmeira. Mas nem sempre a gente faz o que acha que é parte da nossa natureza. E comportamento é uma coisa que muda, concorda?
Aparentemente era um dia como outro qualquer. Aquela rotina de quem trabalha e estuda e volta para um apartamento vazio tarde da noite. Sou do interior e vim para a capital de Minas quando passei no vestibular.
A minha cabeça estava cheia, pensava nas provas da semana seguinte. Carregava aqueles cinco livros desde o fim de semana passado e ainda não dominava nem um terço do conteúdo necessário para ser aprovado nas disciplinas. Faltava um semestre para concluir o curso de Direito. Eu ganhava bem como vendedor em uma empresa de informática, só que pretendia advogar e aprendi que se a gente não corre atrás do que quer, acaba perdendo a motivação pra viver.
Em alguns minutos, observei gente de todo o tipo. Idosos, crianças, namorados, pessoas certamente fazendo cooper por ordem médica, mulheres correndo para manter a forma. E foi acompanhando o voo das abelhas entre as flores, algo poético demais para um cara seco como eu, que a vi.
Estava sozinha. Também carregava uma pilha de livros. O cabelo castanho e ondulado preso num rabo de cavalo. Corpo esguio, calça jeans cinza, blusa e tênis azul. Ela parou para pegar um pedaço de papel dentro do último livro, olhou de um lado e do outro como quem procura um endereço.
Parecia em dúvida. Distraiu-se e acabou por tropeçar. Os livros foram parar longe. Obedeci a um impulso quando me levantei do banco de cimento e venci a distância entre nós. De repente, ajudá-la era só o que importava naquele momento.
Ela me olhou agradecida quando estendi a mão para que se levantasse. Rasgou a calça no joelho. Vi que sentia dor. Quase da minha altura, os olhos pretos como os meus e a pele num tom moreno mais claro.
Amigável, sorriu. Um sorriso lindo e luminoso. Explicou que procurava um cursinho pré-vestibular. Por coincidência, ficava em frente à faculdade onde eu estudava. Eu a acompanhei até o ponto de ônibus. Quando nos despedimos, percebi que lembrava cada detalhe de seu rosto, no entanto, não sabia seu nome. Não pedi um telefone. Não fiz um gesto para conhecê-la melhor.
Frustrado, fui para a faculdade. Não ouvi a aula, porque pensava na moça. Como a vida tem seus próprios planos, nos encontramos dois dias depois, porque decidimos atravessar a mesma rua, no mesmo instante. Seu nome, Camila. O meu, Fernando.
Não posso dizer que acreditava em amor à primeira vista. Mas que senti alguma coisa desde o primeiro olhar, ah, senti... percebi que quando me levantei daquele banco para ajudá-la, fiz uma escolha.
Escolhas como as que fazemos todos os dias. Poderia permanecer indiferente, ficar na minha como em inúmeras situações. Se tivesse escolhido a primeira opção, talvez nunca conhecesse o amor da minha vida. Amanhã completamos um ano de namoro. O dia? 12 de junho!
O que posso dizer? Sou outro homem. E estou feliz. Feliz porque meus planos já não são apenas profissionais. Tenho alguém que me espera em algum lugar. Alguém que reformulou meus conceitos e me fez conhecer um lado da vida que nunca imaginei possível.
Agora sei o que é sonhar, esperar e sentir juntos. Agora entendo a pressa de atender o telefone, o prazer de andar de mãos dadas, a vontade de descobrir, querer e realizar mais. Fernando Pessoa já dizia: “Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar...”
Conheço o sentimento do poeta, porque minha vida é infinitamente melhor com você!

29 setembro 2010

A você que chamo de escuro...



A você que chamo de escuro...
Saia, porque não encontra lugar em meu coração.
Não costumo tratar ninguém assim
Mas é que hoje, sem pedir licença, deu de insistir em meus pensamentos
Não pode...
Coração sonhador gosta de luz
De percorrer sob o sol, planícies serenas de terra fresca
Admirar flores tantas
E de noite, ser brilho prateado da lua
Espectador apaixonado de estrelas

É...
Escuro, se despeça de mim!
Leva o cansaço de quem é matéria em excesso
Arrasta o peso do comportamento frustrado

Entre a ilusão e a realidade,
Sou ponto de interrogação
Mas se quer mesmo a verdade,
escolho a esperança
Sou fã do sorriso doce e terno
Admiro quem aprendeu a reinventar o tempo
A reciclar sentimentos
Transformando provações em caminhos
Quedas em possibilidades.

13 setembro 2010

Dois desenhos



Guardo dentro de mim um reflexo pequeno e outro grande.
Duas sombras. Dois desenhos.
Quando amor, sou gigante.
Se desilusão, tão insignificante...

Minúscula, escalo pedras e, em meio ao percurso sinuoso, falo de tantas coisas: do olhar que vejo além daqui, do horizonte que se estende ali, de um tal de desamor, do brusco desencontro, da face frustrante que oferece a realidade naquele instante.
Mas gosto mesmo é de vencer os obstáculos e sou maior quando alcanço a planície.
Aí, reencontro o amor, os sonhos, a coragem e, serena, posso admirar.
Admirar o céu de tarde. O brilho das cores pinceladas que despertam quando o sol se prepara para dormir.
Admirar o céu de noite... pontilhado de estrelas ou claro de lua cheia.
De manhã, sou expectativa. Céu luminoso do dia, cobrindo meus passos na terra fresca e macia da estrada.
A estrada que me fala de caminhos. De recomeço.
Linda em pensamento, é imagem de tantas lembranças e acontecimentos.

02 junho 2010

FANTÁSTICA



Quantas vezes você já ouviu falar sobre as dificuldades de se publicar um livro no Brasil? E se sente a dificuldade na pele, conhece bem a vida de um autor iniciante. Em qualquer gênero, sem indicação ou patrocínio, a luta é árdua.

Para os autores de sobrenatural, no entanto, há um desafio maior: provar que seus enredos são tão atraentes quanto os que fulguram na lista dos mais vendidos lá fora.

Foi sob este ponto de vista que nasceu a “Fantástica”: uma revista com o objetivo de fortificar e massificar a literatura fantástica nacional, tornando-a tão atrativa e competitiva quanto os livros estrangeiros do gênero.

Seus idealizadores, autores e leitores de literatura fantástica brasileira, entendem que: “hoje existem dois fatores principais que são impeditivos para a ascensão da literatura fantástica nacional e são eles: a divulgação e o preço. A divulgação é um dos principais entraves ao jovem escritor no Brasil, ela, muitas vezes, resume-se ao lançamento do livro, um site e algumas difíceis participações dentro de palestras e eventos. As grandes editoras pouco apostam em escritores novatos, sempre preferindo investir em best-sellers, onde têm um retorno garantido. Da mesma forma, as grandes livrarias pouco expõem estas obras e, pelo risco de ser um novo autor, cobram uma comissão elevada tornado o preço do livro nacional exorbitante. Muitos chegam inclusive a custar o dobro de obras internacionais.”

De publicação bimestral, a revista é digital e sem custo para o leitor. Mas as novidades não param por aí! O grupo está lançando a “Livraria FANTÁSTICA”, uma extensão natural da revista, com o objetivo de contribuir para a divulgação das obras nacionais.

Ou seja, tais iniciativas demonstram que apesar de toda e qualquer barreira editorial, nossa produção literária fantástica já conquistou seus fãs e luta agora por seu espaço no mercado. Ora, e quem disse que os novos nacionais de fantasia não são envolventes? Se você ainda não se arriscou a ler um deles, está na hora. Garanto que vai se surpreender.

Não adianta afirmar que o Brasil não possui uma forte cultura literária e reclamar da falta de apoio às artes como um todo, se a mudança não acontece em cada um de nós. Afinal, por que valorizar só o que vem de fora? Temos artistas talentosos ganhando espaço na internet. Cada vez que abro o livro de um colega, sou contemplada com a visão de um mundo diferente nas páginas que inspiram a produção literária contemporânea.


Acesse o site da revista e leia a primeira edição: http://revistafantastica.webs.com/

ROMANCE SOBRENATURAL

Eu não escondo de ninguém que adoro romance sobrenatural.  Para quem é fã como eu, eu recomendo uma série Coreana que assisti na Netflix:  M...